Em sua grande nova fase ele aprendeu, com os erros do passado, a se entender melhor e agora com a ajuda da psicóloga ele constatara que todo o problema girava em torno da sua auto-estima. Fase nova, vida nova e agora era só ficar e usar as mulheres, já que segundo ele todas são iguais, todas são egoístas e todas querem uma só coisa, dinheiro. Seguindo nessa linda míope de raciocínio ele descamba para as festas e bebidas sempre em demasia. Ficou com várias e sempre se vangloriou disso. Namorar sério estava, como sempre, fora de cogitação.
Ele agora, com 26 anos, começa a sair com a prima mais nova, 16 anos. Claro que ela sai com a sua turma também nessa mesma faixa etária. Lembro-me perfeitamente dele falar que as amigas da prima falavam bem dele e que ele talvez ficasse com algumas delas por ficar, beijar na boca só para não ficar só. Falou também que precisava encontrar alguém para ficar sem compromisso. Conhece então a Carolyne, 15 anos, amiga da prima dele. Ficam amigos. Ele zomba dela o tempo todo falando que uma “pirralha” de 15 anos de idade era a coisa mais fácil do mundo de domar. Começa assim, a sua última grande empreitada, um namoro com uma garota de 15 anos de idade. De início ela era só passa-tempo, que já que não tinha o que fazer a noite, ao menos beijaria numa boca. Ledo engano! O Pai da Garota, seu Tenório, era um Pit Bull. Namoro só na sala e sobre os seus olhares. Sair sozinho? Nem pensar! E tem que levar o irmão mais novo se quisessem sair e voltar bem antes das 11 da noite. Mas o meu amigo, “maduro”, “calejado” das situações anteriores se submeteu a tudo isso, claro, afinal era fácil de domar a garota de apenas 15 anos de idade. A mãe da garota desde o início tem uma clara aversão ao namorado da filha.
O problema de não se mancar é agudo nele. Por incontáveis vezes o pai da garota fala que está na hora de dormir, mas o meu amigo não larga o osso e é praticamente expulso. Esse problema de não se mancar é relativamente comum só que bem mais aparente nesse meu amigo. Com um tempo ele começa a sufocar a garota, passa a ir a casa dela sem avisar, vai todos os dias, demora para sair e, novamente, não se manca disso. Naturalmente, sem tempo para os amigos e para si mesma, ela começa a saturar e demonstrar pouco ou nenhum interesse. As desculpas para não recebê-lo começam e o pesadelo do passado ronda a sua mente. Ignorando os sinais claros, ele continua a ligar todos os dias, fazer a feira da família dela, tenta se aproximar da mãe e do pai da namorada numa tentativa desesperada para poder continuar o que ele enxerga como namoro. É repelido duplamente pela mãe e pelo pai da garota e assim ele começa a se dar conta da realidade.
Pela terceira vez ele entra em declínio absoluto, engorda espantosamente, deixa os estudos de lado, vive de comer, sair, caçar mensagens no Orkut da moça e indiretamente ameaçar com chantagens psicológicas, tentando se fazer de vítima e todas aquelas baboseiras de quem gosta de perder tempo.
Com razão, a moça fica proibida de encontrá-lo, dá todas as desculpas possíveis e imagináveis para não encontrá-lo, até que um dia, em um show, ele por acaso a encontra e ela beija outro na sua frente. “O ódio que senti é indizível”, comentou ele depois. O “namoro” durou 7 meses e o prejuízo foi basicamente o mesmo dos relacionamentos passados. Nos 9 meses seguintes ele continuou insistindo, falando que amava a garota e ela disse claramente que sentia pena dele, que só ficou com ele uma vez depois que terminaram por pena, pura pena.
Pessoalmente eu tenho uma teoria de porque os relacionamentos dele geralmente apodrecem depois de uns 3 meses. As meninas geralmente gostam da sua aparência. Ele por sua vez se camufla bem, tem a pose de universitário, fala dos planos para o futuro e elas pensam que ele é um bom partido. Tem um bom carro e eles ainda estão na fase do marketing pessoal, do conhecimento, portanto, mostra o que têm de melhor em si. Com o passar do tempo, contudo, elas começa a ver que ele não quer nada com nada, percebe as conversas e brincadeiras infantis e o relacionamento entra em colapso.
Continuo com a indagação que levantei no início da primeira postagem... por que as pessoas se submetem a esse tipo de coisa? O que leva uma pessoa a passar por tudo isso em nome de um relacionamento que muitas vezes só existe em suas cabeças?